Enging · Customer Success

A lógica de trabalho

Como cinco pessoas servem 146 contas, com a missão de reduzir churn e aumentar a penetração de ativos. Construído sobre a nossa base real de clientes.

A base que temos de servir

Faturação de 2024 por escalão de conta. É daqui que sai tudo o resto.

EscalãoContasReceita% da receita% das contas
> 50.000 €4562.748 €39,9%2,7%
20.000 – 50.000 €11311.368 €22,1%7,5%
10.000 – 20.000 €13201.466 €14,3%8,9%
5.000 – 10.000 €22147.291 €10,4%15,1%
2.000 – 5.000 €40127.300 €9,0%27,4%
< 2.000 €5660.309 €4,3%38,4%
Quinze contas valem 62% da receita; noventa e seis contas valem 13%. E os movimentos do ano: 59 primeiras compras, 19 contas contraíram mais de 30% (−223 mil €), 17 cresceram mais de 30% (+299 mil €), e 56 desapareceram levando 440 mil €.

Peguei no nosso mapa original — aquele de 2025, o primeiro em que se percebeu que havia churn e quanto era — e mudei um pressuposto. Em vez dos escalões A, B, C e D que usámos para ler a faturação, criei escalões de trabalho.

A diferença não é cosmética. O A/B/C/D respondia à pergunta “de onde vem o dinheiro”. Isto responde a outra: “onde é que as cinco pessoas do CS têm de estar”. Quando puseres os dois lado a lado, vais ver que a resposta não é a mesma.

O princípio

A carteira não se divide por igual. Dividir 146 contas por três gestores dá 49 a cada um, e faz com que se gaste o mesmo tempo numa conta de 600 € e numa de 200.000 €. É a forma mais segura de não servir bem nenhuma das duas.

Divide-se por esforço, e o esforço segue o potencial, não a faturação histórica. Uma conta que faturou 1.580 € e pertence a um grupo com cem instalações não é uma conta pequena — é uma conta por abrir.

Repara numa coisa que me incomodou quando fiz a primeira análise e que só agora consegui nomear. Nós segmentámos por faturação porque era o que tínhamos à mão. Mas a faturação é o resultado do que já vendemos — não do que podíamos ter vendido.

Enquanto segmentarmos pelo passado, o CS vai continuar a gastar o tempo onde já não há muito a ganhar, e a não gastar tempo nenhum onde ainda está tudo por fazer.

Quatro níveis

Três permanentes e um temporário. A entrada e saída são revistas trimestralmente, pela direção e não pelo gestor da conta.

E

Estratégicas

≈ 15 contas · 62% da receita

Gestor nomeado, plano de conta com mapa de cobertura, contacto mensal e business review semestral. É onde está praticamente toda a expansão possível.

Entra quem fatura acima de 20.000 € ou pertence a grupo multi-site com potencial identificado, independentemente do que faturou.
D

Desenvolvimento

≈ 35 contas · 25% da receita

Relatório de valor mensal automático, contacto trimestral com agenda definida e revisão semestral de cobertura. São as candidatas naturais a subir para Estratégicas.

Entre 5.000 € e 20.000 €, sem potencial de grupo identificado.
B

Base

≈ 96 contas · 13% da receita

Sem gestor nomeado. Relatório automático, campanha de recompra trimestral e atendimento a pedido. Custa pouco porque tem de custar pouco.

Abaixo de 5.000 € e sem potencial de grupo. Sobe se recomprar acima do limiar.
N

Novos — corredor

≈ 59 por ano · 5 por mês

Não é um nível permanente: é um percurso de doze meses até à segunda compra. No fim, a conta entra em E, D ou B.

Primeira compra no ano corrente. É aqui que está o problema mais caro do negócio.

Olha para o nível N com atenção. É o único que não existe hoje em lado nenhum da casa, e é onde perdemos mais dinheiro.

Quando te mostrei o mapa em 2025, a conclusão que mais te impressionou foi a dos clientes que não recompravam. O que eu não consegui dizer na altura, porque não tinha os dados separados por coorte, é isto: metade dos clientes que entram nunca faz uma segunda compra — e essa percentagem está a piorar.

O que cada nível recebe

O percurso do kick-off à recompra é o mesmo em intenção e diferente em intensidade.

MomentoNível ENível DNível B
Kick-offReunião presencial com sponsor e técnicoReunião remota, agenda reduzidaSessão de arranque padronizada
Formação de utilizadoresTrês sessões dedicadasSessão única remotaMateriais e vídeo
Relatório de valorMensal, com leitura do gestorMensal, automáticoMensal, automático
Contacto proativoMensalTrimestralCampanha trimestral
Business reviewSemestralAnual
Mapa de coberturaMantido e revistoLevantado uma vez por ano
Recompra / renovaçãoProcesso iniciado a D-120Contacto a D-60Campanha automática
ExpansãoPlano de conta com alvos por instalaçãoOportunista, a partir de sinal
O que fica de fora é uma decisão, não um esquecimento. Noventa e seis contas não vão ter acompanhamento humano individual. A alternativa é espalhar cinco pessoas por 146 contas e não servir nenhuma. O que essas contas recebem é o produto. Se isso não chegar para as reter, o problema é de produto e de preço, não de Customer Success.

Esta tabela vai incomodar alguém, e é suposto. Estamos a escrever, preto no branco, que noventa e seis clientes não vão ter uma pessoa atrás deles.

Prefiro que isso seja uma decisão tomada por ti do que a consequência silenciosa de termos cinco pessoas para cento e quarenta e seis contas — que é exatamente o que acontece hoje, só que sem ninguém ter decidido nada.

O corredor dos novos

A conversão da primeira para a segunda compra caiu de 74% na coorte de 2022 para 48% na de 2023. Um cliente que volta vale entre duas e seis vezes o que pagou na primeira compra. É o percurso mais valioso do negócio e o único que hoje não tem dono.

D0 – D5

Kick-off e levantamento

Objetivos do cliente, inventário de ativos e — mesmo nas contas pequenas — que outras instalações o cliente tem. É o dado que decide o nível futuro.

D+30

Valor entregue

Alertas configurados, utilizadores ativos, primeiro relatório. Se não estiver feito aos trinta dias, a conta entra em risco antes de ter começado.

D+90

Primeira revisão de valor

Contacto com leitura do que foi monitorizado e do que isso evitou. É o momento de perceber se há vida na conta ou se o piloto morreu depois da instalação.

D+180

Ponto de escalada

Sem sinal de segunda compra nem de utilização, a conta é escalada à direção. Hoje ninguém repara que ela parou — repara-se no ano seguinte, quando já não está na lista.

D+270

Proposta de continuidade

Alargamento de ativos, nova instalação ou renovação, consoante o que o levantamento mostrou.

D+365

Atribuição de nível

A conta sai do corredor e entra em E, D ou B. A decisão é da direção e fica registada.

Este é o pedaço de que tenho mais certeza de todos. Não precisa de Health Score, não precisa de plataforma nova, não precisa de ninguém mudar de função.

Precisa de uma pessoa olhar, aos seis meses, para a lista de quem entrou e ainda não voltou. Se isto existisse em 2024, tínhamos ligado a dezenas de clientes a quem não ligámos — e alguns deles teriam voltado a comprar.

Quem faz o quê

Cinco pessoas, distribuídas por carga e não por número de contas.

PessoaResponsabilidadeCarga
1 · DireçãoRitmo, prioridade, verificação e escalação. Assume diretamente as quatro maiores contas. Decide entradas e saídas de nível.40% da receita sob gestão direta
2 · Nível EAs 15 contas estratégicas. Plano de conta, mapa de cobertura, business reviews, expansão por instalação.≈ 2 h por conta e por mês
3 · Nível DAs 35 contas de desenvolvimento. Contacto trimestral, deteção de candidatas a subir de nível.≈ 1 h por conta e por mês
4 · Nível N e BO corredor dos novos, cerca de cinco entradas por mês, e as campanhas do Nível B.≈ 59 contas por ano no corredor
5 · Implementação e suporteArranques, comissionamento, formação, tickets, SLAs e monitorização. Alimenta a camada de incidentes evitados dos relatórios.prazos em horas
O turno: o que parte o trabalho proativo não são os tickets do canal — é o que chega fora dele, o cliente que liga diretamente ao seu gestor. Numa dada semana, uma pessoa atende tudo o que chega fora do canal, de qualquer conta, e as restantes ficam intocáveis. Quem está de turno não cumpre bloco proativo nessa semana, e isso é assumido no planeamento.

Sei que vais olhar para esta tabela e perguntar se não faltam pessoas. A minha resposta honesta é que não sei.

O que sei é que com esta distribuição conseguimos servir bem os 62% da receita que estão em quinze contas — e que hoje não estamos a servir bem nada. Se depois disto instalado o constrangimento continuar a ser de capacidade, aí a conversa sobre contratar passa a ter uma base a sério.

Os gatilhos

O que obriga a agir, independentemente do nível e do calendário.

Contração superior a 30%

Revisão imediata da conta. Em 2024 teria apanhado 19 contas e 223 mil euros. Está na faturação — não precisa de indicador nenhum para ser visto.

Ausência de compra há 18 meses

A conta deixa de contar como ativa e entra em campanha de recuperação antes de sair da base.

Health Score abaixo de 60

Ativa o playbook de recuperação com diagnóstico de causa-raiz na primeira semana. Aplica-se aos níveis E e D.

Health Score ≥ 80 sustentado

Qualificar expansão em 30 dias e transferir em 5 dias úteis. Nos níveis E e D.

Nova entidade do mesmo grupo

Se compra uma empresa de um grupo já cliente, junta-se à conta-mãe em vez de abrir conta nova.

Seis meses sem sinal, no corredor

Escalada à direção. É o gatilho que hoje não existe e que explica boa parte das contas de compra única.

Conta de grupo: as sete empresas da Águas de Portugal foram tratadas como sete clientes e valeram 45 mil euros em cinco anos. Passam a ser um cliente com sete instalações e um único responsável. O mesmo na Acciona, no EDP, na TotalEnergies e na ArcelorMittal.

Este exemplo da Águas de Portugal é o que mais me custa de toda a análise. Sete empresas do mesmo grupo compraram sozinhas, ao longo de cinco anos, quarenta e cinco mil euros no total.

Nenhuma delas sabe que as outras seis compraram. E nós também não sabíamos. Isto não é falta de comercial — é falta de alguém olhar para a base instalada como um mapa em vez de uma lista de faturas.

Quando tudo disparar no mesmo dia

A regra de prioridade, por ordem.

  1. SLA de suporte em risco de incumprimento
  2. Conta do Nível E em contração ou em janela de recompra
  3. Conta no corredor dos novos, no ponto de escalada dos seis meses
  4. Oportunidade de expansão com gatilho disparado
  5. Contacto proativo planeado dos níveis E e D
  6. Campanhas do Nível B, documentação e reporting interno

Marco, a lógica que está aqui não é ambiciosa. É a mais simples que consegui desenhar que ainda assim resolve as três coisas que o mapa de 2025 pôs a descoberto: não sabíamos quem estava a sair, não sabíamos onde havia mais para vender, e não tínhamos ninguém a olhar para quem tinha acabado de entrar.

Se sair daqui uma coisa só, que seja o corredor dos novos. É o mais barato de instalar e é onde está a maior parte do dinheiro que estamos a deixar na mesa.